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Em meio a homenagens, Gilmar Santos afirma que Câmara é machista e pratica violência simbólica contra mulheres

por Karine Paixão 9 de Março de 2018 às 06:42

 Em homenagem as mulheres a Câmara de Petrolina realizou nesta quinta feira uma sessão solene. O plenário foi presidido pela vereadora Cristina Costa (PT), já que ainda  é a única mulher parlamentar na Casa Plínio Amorim. A vereadora Maria Elena só deve assumir os trabalhos no legislativo na próxima semana. Acima da mesa diretora foi fixada uma faixa preta com a palavra luta destacada. Representantes de várias entidades discursaram e falam sobre a busca pelo protagonismo feminino e os lamentáveis índices de violência contra mulheres na cidade.

Presente na abertura da sessão, o prefeito Miguel Coelho falou sobre a data e deixou sua mensagem às petrolinenses. “Hoje é dia da gente recordar a via e história de tantas mulheres bravas, guerreiras que lutaram ao longo da nossa história para conquistar a equiparação salarial, as igualdades de direitos, para que a gente possa combater a violência doméstica, a violência contra a mulher a Câmara de Vereadores Petrolina hoje faz uma justa homenagem”, classificou. 

A primeira dama do município Lara Secchi Coelho fez seu discurso na tribuna da Câmara Municipal e trouxe o seu relato pessoal sobre a experiência de comandar uma empresa com predominância de funcionários do sexo masculino. Além disso reforçou a importância de ter mulheres na política. “Sou filha de Gilberto e de Taís, tenho duas irmãs e ainda escuto frases como 'que pena Gilberto não ter um filho homem. Tenho vontade de responder a essas pessoas. Eu me considero muito mais macho do que muito homem. Não no sentido pejorativo da palavra, mas no sentido de não ter preguiça, correr atrás do que a gente precisa, ter força de vontade e correr e trabalhar e foi isso que aprendi desde pequena dentro de casa. Então, o dia de hoje é mais para a gente realmente refletir que a mulher precisa se autoafirmar diariamente. Eu tenho a convicção de que a gente, aos poucos, vai mudar essa cultura. Não é algo para hoje ou amanhã, vemos essa luta sendo travada pelas mulheres há muitos séculos e cabe a nós mulheres exercermos uma maior representatividade na sociedade civil, por mais mulheres participando da política e sou uma grande defensora desse protagonismo feminino”. 
Após o discurso da esposa, Miguel Coelho deixou a Câmara Municipal para participar dos eventos organizados pela Prefeitura Municipal alusivos ao Dia internacional da Mulher.

A sessão solene seguiu com a participação de representantes de entidades da sociedade civil e vereadores. Dentre os pronunciamentos dos edis, o discurso de Gilmar Santos (PT) chamou a atenção quando o parlamentar relatou se sentir desconfortável por fazer parte de uma Câmara machista e que pratica violência simbólica. “Eu fico bastante constrangido em fazer parte de uma Câmara Municipal dessa cidade altamente tomada por machos. Mas não se trata apenas de uma Câmara dominada por machos, temos uma Câmara também que expressa machismo, preconceito, violência simbólica contra as mulheres. Essa casa aprovou outro dia um projeto de Lei que proíbe as professoras discutirem as questões das mulheres em escolas públicas e eu fico pensando: qual o tipo de pensamento nós temos quando promovemos o preconceito através da Lei”.

Ainda solicitou da primeira dama que aconselhasse o prefeito Miguel Coelho a revisar a lei por ele sancionada que proíbe a discussão de gênero nas escolas. “Lamento muito Lara, que o prefeito tenha sancionado essa Lei ratificando, fortalecendo preconceitos, esteriótipos contra as mulheres nas nossas escolas. Eu gostaria muito que o prefeito Miguel pudesse fazer essa revisão. Eu acho que há tempo e eu solicito da senhora que converse com o prefeito. Esse projeto não é bom. A justificativa não é boa. Está eivado em muitos preconceitos contra as mulheres”, disparou. 

Indignado com a situação, o vereador Ronaldo Silva criticou o posicionamento de Gilmar Santos e negou que a Casa Plínio Amorim tivesse uma composição machista. “Ele chegou no discurso dele de homenagear a pessoa que ele ia homenagear e disse que a Câmara de Petrolina era machista e tinha aprovado um projeto contra as mulheres e eu disse apenas que ele estava equivocado. A Câmara nunca votou projeto contra mulher nenhuma. Aqui teve um projeto de ideologia de gênero e a Câmara rejeitou, mas não foi uma ação contra as mulheres. Isso não é forma dele querer apagar o brilho da festa que temos hoje. Se ele afirma que votamos contra as mulheres que ele mostre. Ele chegou com uma inverdade numa festa e não deveria trazer esse assunto”. 

Depois da entrega da Medalha Josepha Coelho, a presidente da sessão solene Cristina Costa fez seu discursos destacando a luta das mulheres e reforçando a importância das discussões de gênero nas escolas. “O dia é de luta de mulheres petrolinenses, sertanejas, pernambucanas, brasileiras, por uma cidade mais justa, um país mais justo socialmente. A própria origem dessa data é de luta e infelizmente de muitas mortes. Em 1911, 130 operárias morreram carbonizadas nos Estados Unidos dentro de uma fábrica. Antes desse episódio, organizações femininas dentro de movimentos operários protestavam pela Europa e Estados Unidos. Apesar de estarmos no século XXI, ainda acompanhamos atrocidades e violências de todos os tipos contra as mulheres. Violam os direitos humanos em todos os sentidos, temos mulheres violentadas em casa, no trabalho e nas ruas e aqui desde já, como a única mulher nesta Câmara quero agradecer ao vereador Aero, a sua atitude e aqui também ao meu companheiro de partido Gilmar Santos. Discutir igualdade de gênero não é discutir o masculino e feminino, preciso reconhecer isso. E é nesse momento que a crítica construtiva eu coloco: precisamos debater sim a igualdade de gênero”. A vereadora também se emocionou ao homenagear sua mãe, que faleceu na semana passada.