| Última edição: 30/11/21 - 08:58

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Duda Beat: ‘A minha música pertence às rádios’

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Às voltas com o lançamento de Te Amo Lá Fora, seu segundo disco, criado durante a pandemia, a cantora falou a Marie Claire sobre suas fossas, seus auges, de como aprendeu que se amar é o primeiro passo para alinhar os astros e que deseja que seu trabalho rompa as bolhas e chegue nos rincões do país

Às voltas com o lançamento de Te Amo Lá Fora, seu segundo disco, criado durante a pandemia, Duda falou a Marie Claire sobre suas fossas, seus auges, de como aprendeu que se amar é o primeiro passo para alinhar os astros (Foto: BRUNA CASTANHEIRA (GROUPART) )
Às voltas com o lançamento de Te Amo Lá Fora, seu segundo disco, criado durante a pandemia, Duda falou a Marie Claire sobre suas fossas, seus auges, de como aprendeu que se amar é o primeiro passo para alinhar os astros (Foto: BRUNA CASTANHEIRA (GROUPART) )

Era abril de 2018 quando, aos 30 anos, Eduarda Bit­tencourt Simões publicou dois de seus mais importantes fei­tos até então.Um álbum musical (o seu primeiro da vida, intitulado “Sinto Muito”) e um artigo acadêmico sobre a atuação da Bancada Evangélica em igrejas pentecostais no Brasil (intitulado “Vote em Mim em Nome de Deus”). Com base em suas agruras, compôs “Bixinho”, canção que viria a ser hit do verão seguin­te, ao mesmo tempo que radiografou a cena política que de­finiria as eleições de outubro daquele ano.

Os dois trabalhos, opostos radicais da personalidade perfeccionista e insaciável de Eduarda, foram executados concomitantemente e aplaudidos em mesmo nível. “Não faço nada pela metade. Eu tinha o plano do disco e o compromisso com a faculdade de ciência política. E entregaria os dois com todo o meu coração”, diz ela, hoje conhecida e reconhecida como Duda Beat, o nome que escolheu para se apresentar enquanto artista depois de entender que não haveria nenhum outro caminho cabível.

É que a música não foi o plano A de Duda. Sequer o B. Antes de dizer para si mesma que os palcos eram o seu lugar, tentou entrar em medicina – queria ser anestesista, por influência da mãe – por sete longos anos e acabou, por fim, se formando uma cientista política.

A medicina fazia sentido porque, explica, “era um jeito de cuidar do outro, fazer algo pelas pessoas”, e os estudos políticos porque, que a verdade seja dita, ela tinha cansado de tentar entrar em medicina e não conseguir. No sétimo vestibular, a nota que conseguiu não era suficiente para a faculdade de direito – esse o plano B –, mas faria com que cursasse ciência política. “E por que não?”, se perguntou. “Também é um jeito de olhar e zelar pela sociedade.”

Foi então de pulmões inflados estudar para mais tarde fazer mestrado e lecionar sobre o tema. O que não esperava era que um retiro de meditação, desses em que se é obrigado a manter o silêncio por dias, pudesse despertar nela um desejo irremediável de ocupar o lugar que seus pares românticos tinham no mundo. “Me apaixonei por músicos, sempre e invariavelmente [ri de si mesma]. Nesse retiro, chamado Vipassana, entendi que um jeito de superar os amores que só davam errado era me tornando um pouco do que eles eram. Ser eu a artista, a cantora e a estrela. Volto do retiro dizendo para mim mesma que ‘vai dar certo, vou escrever as canções, as pessoas vão se identificar e eu preciso disso para me libertar’.” Deu mais que certo.

Duda Beat (Foto: BRUNA CASTANHEIRA (GROUPART) )
Duda Beat (Foto: BRUNA CASTANHEIRA (GROUPART) )

Duda, agora aos 34, tem um disco inteiro, fresco e intenso, produzido em plena pandemia para oferecer. “Te amo lá fora”, o segundo da carreira da pernambucana, conta com as participações de Cila do Coco e Trevo, e tem um “Q de soturno, mais um Q de aprendizado e maturidade”, ela detalha.

Se em “Sinto Muito” Duda contou do amor com certa dor, no novo álbum reconhece que depois da tempestade, vêm as lições e, “olha só”, o tão aguardado amor próprio. “E então digo a todas as mulheres: é preciso se gostar para estar pronta para as paixões”, sugere ela que viveu os maus bocados todos na pele.

Não é segredo para ninguém, suas composições serviram como terapia em via pública, ou algo do gênero. “Cantei meus desamores e as pessoas se identificaram. Escancarando as minhas histórias me curei um pouco de tudo que vivi com os homens. E isso me deixa cheia por dentro.”

Não apenas cheia e livre de amores tóxicos, mas ainda 100% romântica, algo que nem a tal cura tirou dela. Atualmente, Duda está casada com Tomás Tróia, produtor das suas músicas e músico em sua banda. A história dos dois, que parece tirada de uma comédia romântica passada no Rio de Janeiro, rende um texto à parte. Você pode conhecê-la com direito a detalhes ouvindo o episódio de Escuta Maria Clara que gravamos com ela e vai ao ar na primeira semana de janeiro. No podcast, Duda ainda fala de família, moda e, claro, política.

Duda Beat (Foto: BRUNA CASTANHEIRA (GROUPART) )
Duda Beat (Foto: BRUNA CASTANHEIRA (GROUPART) )

Meu país Pernambuco

Recife é responsável pelas memórias e referências mais queridas de Duda Beat. Na cidade onde nasceu e cresceu, ela aprendeu a benquerer o calor, o Carnaval, a pele nua, o manguebeat (é do movimento que saiu o Beat de seu nome artístico), o frevo, o brega e o maracatu.

Da avó paterna, uma foliã de carteirinha que tinha uma queda forte pela moda, herdou a paixão por se montar; característica que se tornou uma marca de sua imagem. Da casa onde cresceu ao lado de dois irmãos, nunca esqueceu os discos escutados pelos pais. Haviam os clássicos do pop dos anos 1980 (George Michael, Sade, Duran Duran) e os da MPB (Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan).

Mas foi ainda do tempo em Recife – ela só passou a morar no Rio de Janeiro aos 18 anos – que herdou o que considera ser seu traço mais importante: “A ousadia típica de quem vem do nordeste”. “Quero que as pessoas me olhem e digam ‘caralho, a Duda não seguiu fórmulas, e mesmo assim ela está aí, nos palcos; ela me representa’. Esse é o maior legado que posso deixar para as futuras gerações. Tanto de artistas quanto de fãs. Sempre fui essa pessoa que se instiga pelo novo. Isso me dá tesão. É um jeito de me desafiar, ao mesmo tempo que é estar no meu lugar de conforto.”

Bem por isso, fazer fotos nua para esta Marie Claire não foi uma questão. Duda aceitou prontamente a ideia. “Encaro como uma celebração da minha liberdade, do carinho que sinto pelo meu corpo e pela minha história. E se é novo, vou querer. Nunca tinha feito um ensaio pelada. Isso já foi suficiente para eu aceitar.”

Quando falamos de corpo e liberdade, o assunto Marília Mendonça aparece. A morte da sertaneja ainda ressoa em Duda, incapaz de acreditar na tragédia e indignada com os obituários que reduziram Marília a um corpo feminino cheio de culpa. Para Duda, fã declarada, “Marília foi das poucas que teve coragem de dizer #elenão, e mesmo depois de ameaçada por conta disso”.

Ela continua, traçando um paralelo entre as duas: “Me inspirei nela, na intensidade e na coragem. Marília é a rainha da sofrência. Não sou eu, sempre será ela. Uma coisa que gosto que a gente tenha em comum, além de Caetano ter nos citado na mesma canção [“Sem Samba Não Dá”], é que também falamos do que vem depois da sofrência, que é o empoderamento. A gente se falou pouco em vida, mas eu era e continuo sendo muito fã. Por tudo que ela foi, por tudo que representava para as mulheres e para a música.”

Duda Beat (Foto: BRUNA CASTANHEIRA (GROUPART))
Duda Beat (Foto: BRUNA CASTANHEIRA (GROUPART))

Começar a carreira musical aos 30 trouxe clareza a respeito das coisas que Duda de fato gosta e das que não gosta – ou simplesmente não quer. Ela não se arrepende de não ter tentado antes. Pelo contrário, acredita que tudo tem sua hora e sua força. “Sem dúvida foi o que me fez ser tão certeira no que queria. Acredito que tudo se deu no momento certo”, diz.

No mais, ela sonha longe, deseja que seu trabalho rompa as bolhas e chegue nos rincões do país, e avisa que há muita coisa a ser conquistada. A começar pelas rádios. “A minha música pertence às rádios. É uma produção mainstream, é música popular brasileira. E eu vou conseguir [chegar nas rádios], porque acreditar é o primeiro passo. Quero que, mais do que eu, a minha música chegue às pessoas. Esse é o grande barato da arte, transformar a vida das pessoas. É onde quero chegar.”

Fonte: Marie Clarie