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Bolsonaro descarta reajuste de combustíveis

por Adriana Rodrigues 7 de Janeiro de 2020 às 16:00
categoria: Economia

O presidente Jair Bolsonaro afirmou após reunião no Ministério de Minas e Energia que o governo não vai interferir na política de preço de combustíveis. “Não existe interferência do governo. Não sou intervencionista. Essa política vem sendo bem conduzida pelo almirante e ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, juntamente com o presidente da Petrobras, Castello Branco”, afirmou. O aumento no preço dos combustíveis preocupava Bolsonaro desde o início do governo. O principal receio é que o encarecimento leve a uma greve dos caminhoneiros, que afetaria o processo de recuperação da economia e a imagem do governo.

Depois do encontro e da declaração de Bolsonaro, Albuquerque confirmou que o governo não interferirá no mercado.

Ele disse, entretanto, que o governo estuda criar mecanismos que compensem esse aumento nos preços dos combustíveis. A expectativa é que a medida não cause inflação e não frustre expectativas de mercado. O ministro disse que o governo “não vai procurar o caminho dos impostos”. Bolsonaro afirmou ainda que os governadores também podem ajudar a segurar a alta de preços porque um terço do valor final dos combustíveis em postos depende de impostos estaduais, em sua avaliação. No entanto, não há previsão de reunião do presidente com governadores no momento.

O presidente da Petrobras afirmou haver “total respeito à lei” de liberdade de preços de combustíveis. “E o presidente Bolsonaro prática isso. Nunca recebi pressão para abaixar o preço de qualquer derivado de petróleo”, disse. Ele acrescentou achar ser pouco provável que um eventual acirramento da crise política entre Estados Unidos e Irã causeuma crise econômica.

O governo estuda mecanismo de compensação para o preço dos combustíveis no mercado interno. O objetivo é evitar altas abruptas nos valores internacionais do petróleo sobre consumidores brasileiros. A medida foi revelada pelo ministro Bento Albuquerque depois de reunião com o presidente Jair Bolsonaro. Albuquerque não deu detalhes sobre a medida. O ministro ressaltou que o Brasil hoje já é um dos principais países produtores de petróleo no mundo. Com isso, quando o barril sobe, aumenta a arrecadação.

Antes da reunião de ontem, Bolsonaro admitiu que o preço dos combustíveis está elevado no mercado interno, mas minimizou o impacto da crise entre Estados Unidos e Irã no mercado interno. “Reconheço que o preço está alto na bomba. Graças a Deus, pelo que parece, a questão lá dos EUA e Iraque, do general lá que não é general, e perdeu a vida, o impacto não foi grande”, sustentou. O capitão reformado lembrou que o preço do barril de petróleo tipo Brent chegou a oscilar em alta de 5%, mas fechou o dia em 3,5%. “Não sei quanto está, hoje, a diferença em relação ao dia do ataque. Mas a tendência é estabilizar”, analisou. Contudo, o preço continua subindo. No mercado externo, o barril sobe 1,24%, cotado a cerca de US$ 69,45.

Monopólio

O governo permanece empenhado em abrir o mercado e reduzir o monopólio que a Petrobras detém na prática sobre o refino e também sobre o transporte. Bolsonaro disse que os ministros de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e da Economia, Paulo Guedes, vão tratarda venda de refinarias e do transporte e distribuição de gás. “Queremos privatizar, e vai por partes. Você vê lá, vi por alto a margem de lucro de cada situação dessas, é mais ou menos o seguinte. O combustível custa x na refinaria e, na bomba, para o povo, custa 3x. É um absurdo”, criticou Bolsonaro.

Sem um amplo mercado concorrencial, ele considera que tem “muita gente” ganhando dinheiro “sem risco nenhum”. “Agora, dado que são monopólios que vêm de décadas, não podemos quebrar contratos. Vamos quebrando devagar esses monopólios usando a lei, abrindo realmente o que nós pudermos abrir, a gente vai abrir. Essa é a intenção. Tem que haver concorrência o máximo possível para quebrar monopólio”, declarou.

Além de discutir a quebra do monopólio da Petrobras, o presidente sinalizou a disposição em debater a contribuição que os impostos federais e o ICMS exercem sobre o preço final e, consequentemente, a margem de lucro na ponta. “Quanto custa o litro do combustível nas refinarias? Por que cai tudo no meu colo, parece que sou responsável por tudo? Querem que eu tabele. Não tem como tabelar. Nossa política não é essa. Políticas semelhantes no passado não deram certo. A nossa economia tá dando certo”, ponderou.

A maior preocupação de Bolsonaro, na questão dos combustíveis, é com os caminhoneiros. Esses profissionais já fizeram chegar ao Palácio do Planalto informações de que não aceitam reajustes nos preços do diesel, mesmo diante da disparada das cotações do petróleo no mercado internacional. Para Bolsonaro, uma eventual paralisação de caminhoneiros neste momento, por causa da alta dos preços de combustíveis, seria muito ruim. Na visão dele, isso deve ser evitado a qualquer custo. Entre os investidores, o maior temor é de que o governo intervenha na Petrobras para segurar os preços da gasolina e do diesel, como ocorreu na administração de Dilma Rousseff.

Os EUA confirmaram na sexta-feira a autoria do ataque que matou o chefe da Guarda Revolucionária do Irã, Qassem Soleimani, no dia anterior, que fez o preço do petróleo subir. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil não comentou a morte do líder iraniano, mas declarou apoiar os Estados Unidos “na luta contra o flagelo do terrorismo”. A pasta comandada por Ernesto Araújo também afirmou ser necessário evitar confrontos internacionais: “O Brasil está igualmente pronto a participar de esforços internacionais que contribuam para evitar uma escalada de conflitos neste momento”.

Parcelamento nas vendas

Donos de postos estão atentos a qualquer movimento da Petrobras sobre reajuste nos preços da gasolina. Mas enquanto o aumento não vem, estão parcelando o valor do combustível no cartão de crédito. Segundo gerentes de vários estabelecimentos, o sinal de alerta sobre os preços já foi ligado. Mas a prioridade, neste momento, é acelerar as vendas de combustíveis, uma vez que o consumo, por causa das férias, está fraco. Em média, o litro da gasolina está sendo vendido a R$ 4,399. Há postos parcelando a gasolina em duas e em três vezes no cartão, sem juros. “Foi a forma que encontramos para reduzir os estoques”, diz um gerente de posto. Ele conta que houve uma certa corrida ao estabelecimento no fim de semana, pois muita gente temeu por reajustes de preços. Mas nada de espetacular.

A pergunta que mais se faz nos postos hoje é quando a Petrobras repassará para as refinarias a alta das cotações do petróleo no mercado internacional. O valor do barril do óleo está subindo desde sexta-feira, depois de um bombardeio dos Estados Unidos no Iraque, que matou o general iraniano Qassem Soleimani. Em nota, a Petrobras afirmou que decidirá “oportunamente” sobre os ajustes nos preços de seus produtos. A empresa diz que não se pauta mais sobre a política de ajuste diário nos valores dos combustíveis, como ocorria no governo de Michel Temer. (Com informações do DP)