Menina consegue falar pela primeira vez aos 9 anos: “Te amo, mãe”

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Garota nasceu com defeito nas vias aéreas superiores e precisou de cirurgia arriscada para conseguir usar a voz normalmente

Por Agência O Globo

 A menina Delayza Diaz nasceu com uma condição rara que causa um conjunto de defeitos congênitos que podem afetar a coluna, as vias aéreas superiores e o esôfago.

Havia cartilagem dura onde deveria estar a abertura da traqueia. Ela quase não sobreviveu e só saiu do hospital no Oregon, nos Estados Unidos, aos cinco meses após uma cirurgia reparadora. Apesar de os médicos terem conseguido fazer com que respirasse, ela não conseguia falar, de acordo com a rede CNN

A cartilagem impedia que suas cordas vocais vibrassem e falassem. Havia a possibilidade de fazer uma cirurgia complexa para reconstruir a caixa vocal de Delayza, mas era muito arriscado.

Além de produzir a fala, as cordas vocais são as principais protetoras das vias aéreas durante a deglutição. Se a cirurgia não desse certo, as vias respiratórias poderiam ser comprometidas, interferindo até na capacidade de engolir. Isso aumentaria o risco de alimentos ou líquidos entrarem nos pulmões e causar uma infecção.

Derek Lam, otorrinolaringologista pediátrico da Oregon Health and Sciences University, que acompanhou a menina desde o nascimento disse à CNN que conversou com a família de Delayza durante anos sobre se a cirurgia seria a decisão certa.

No entanto, com as aulas virtuais provocadas pela pandemia da Covid-19, a incapacidade de falar e ser compreendida fez com que Delayza Diaz desistisse da escola. Foi o sinal de que a hora havia chegado.

Eles finalmente fizeram a cirurgia no segundo semestre de 2022, pouco antes do 9º aniversário de Delayza. A operação durou cerca de oito horas.

Os médicos removeram cartilagem anormal na parte superior da traqueia, fizeram um buraco entre as cordas vocais para que pudessem se mover e usaram cartilagem adicional de uma de suas costelas para construir uma caixa vocal nova e maior, que ele prendeu na parte superior da traqueia.

Também inseriram um tubo redondo chamado stent para manter a nova caixa vocal aberta, que permaneceu no local por nove meses enquanto tudo cicatrizava, para garantir que nenhum tecido cicatricial se formasse e fechasse sua garganta.

Uma das cordas vocais de Delayza agora está funcionando, o suficiente para que ela possa – pela primeira vez – aprender a falar normalmente.

Graças à cirurgia, ela também poderá tirar da garganta o tubo que a ajuda a respirar – de traqueostomia – algum dia.

A garota tem consultas com terapeutas da voz há alguns meses para aprender a falar. Uma das primeiras frases que conseguiu dizer foi “Eu te amo, mãe”.

“Ela usava as mãos para dizer ‘eu te amo’”, disse à rede CNN a mãe, Lucero Diaz. “Quando ela falou, foi simplesmente emocionante.”

A voz de Delayza ainda é baixa e rouca. Até o cachorro da família, Nico, ainda está se acostumando e late quando ouve Delayza falar. Mas ele vai se acostumar.

(Folha de Pernambuco)