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Famílias denunciam 'truculência' em ação de reintegração de posse do Pontal

por Gabriela Canário 14 de Maio de 2018 às 12:14
categoria: Polêmica

As famílias despejadas após a reintegração de posse em assentamentos do Projeto Pontal, zona rural de Petrolina, ocorrida na última terça-feira, dia 08, denunciaram abuso de autoridade e truvulências durante a ação. A ação judicial foi movida pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) alegando que as famílias do Movimento Sem-Terra (MST) ocupavam o local ilegalmente, desde 2014. A justiça tinha determinado que todos desocupassem os locais até dia 28 de fevereiro deste ano. Os ocupantes negam qualquer aviso prévio da ação.

O coordenador do Movimento Sem Terra na região e dos assentamentos Democracia e Dom Tomaz, Paulo Sérgio, disse que houve excesso por parte da polícia e questionou o respeito às famílias daquela localidade. “A gente ficou bem indignado com a truculência da Polícia Federal porque eles não costumam agir como agiram retirando as famílias dos assentamentos […] lá não tinha bandido e nem vagabundo. As famílias estavam produzindo no local certo […] é uma terra fértil e que tem água. Foi abuso de autoridade, não respeitando a família e o ser humano. Só existem direitos humanos dentro de presídio?”, questionou.

Dizendo-se angustiada, a assentada Cleidmar [sobrenome não divulgado] afirmou que após a desocupação muitas famílias foram para um acampamento vizinho e que estão passando por muitas dificuldades. “Estão sem água e alimentos que foram esmagados pelos tratores. Estão passando necessidade. A situação é caótica. A gente quer deixar claro que não temos garantias e temos que lutar pelos nossos direitos”, disse. Ainda de acordo com o movimento, foram concedidas duas áreas para os ocupantes, mas que não há condições de moradia pela falta de água para o consumo e produção. “A Codevasf não nos garante nada [...] temos que ter água pelo menos para o consumo humano […]. Como está se resolvendo se o que cabe para alocar as famílias no espaço é isso?”. É irresponsabilidade da Codevasf de Petrolina”, disse a assentada.

O comunitário Albino dos Santos lamentou a perda das produções nos dois assentamentos, o que era, segundo ele, a garantia do sustento de grande parte das famílias. “A gente começou ali plantando por questão de alternativa porque a gente não tinha rumo e as pessoas optaram por isso. O canal foi construído com nosso dinheiro e a gente plantava de tudo um pouco […] ai veio esse rolo compressor da Codevasf e acabou com tudo”, afirmou.

A redação do Nossa Voz entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da Codevasf e aguarda posicionamento do órgão.