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PF prende empresário no Recife em operação contra lavagem de dinheiro de tráfico internacional de drogas

por Gabriela Canário 15 de Maio de 2018 às 16:00
categoria: Polêmica

Um empresário do ramo de blindagem de veículos foi preso pela Polícia Federal (PF), nesta terça-feira (15), em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, dentro da operação que também prendeu Carlos Alexandre de Souza Rocha, conhecido como Ceará, delator da Lava Jato. Ao todo, oito pessoas foram presas no país. Na empresa de blindagem, foram apreendidos cerca de R$ 40 mil.

A operação é contra lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas. O empresário Ivo Queiroz Costa Filho, 51 anos, foi preso por força de um mandado preventivo, ou seja, por tempo indeterminado, no prédio onde mora, na orla de Boa Viagem. O G1 tenta localizar a defesa do empresário.

A PF também cumpriu mandado de busca e apreensão em uma empresa de blindagem situada na Avenida Mascarenhas de Moraes, na Imbiribeira, também na Zona Sul da capital. Na empresa, os agentes apreenderam documentos fiscais e R$ 40 mil em dinheiro. O material foi levado para a sede da PF, no Centro do Recife, para onde Ivo também foi encaminhado.

De acordo com a Polícia Federal, outro mandado de prisão preventiva foi expedido para o Recife, mas foi cumprido em João Pessoa (PB). Trata-se do doleiro Edmundo Gurgel Junior, que foi investigado pela PF no caso Banestado, na Operação Farol da Colina. Segundo a PF, o doleiro estava a negócios na Paraíba e a prisão foi executada por policiais federais daquele estado.

Após exame de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal (IML), Ivo Queiroz será levado de avião, ainda nesta terça, para a Superintendência da PF, em Curitiba. O G1 entrou em contato com a Full Blindagem e aguarda retorno.

Doleiros presos

Ainda nesta operação, foram presos os doleiros José Maria Gomes e Carlos Alexandre de Souza Rocha, conhecido como Ceará, delator da Lava Jato. A prisão de José Maria é temporária e ocorreu no Rio de Janeiro (RJ). Já o Ceará foi preso preventivamente em João Pessoa (PB).

Ceará atuava na Lava Jato com o doleiro Alberto Youssef e firmou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). O acordo foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A PF disse que vai avisar as duas instituições para que avaliem a rescisão do acordo.

Como delator da Lava Jato, Ceará mencionou os políticos Fernando Collor de Mello, Aécio Neves, Renan Calheiros e Randolfe Rodrigues. (Veja abaixo)

Operação Efeito Dominó

Batizada de Efeito Dominó, a ação é um desdobramento da Operação Spectrum, deflagrada em 2017. Na ocasião, Luiz Carlos da Rocha – o Cabeça Branca, um dos maiores traficantes da América do Sul, segundo a PF – foi preso em Sorriso (MT).

De acordo com a PF, a investigação policial apontou uma "complexa e organizada estrutura" destinada à lavagem de recursos provenientes do tráfico internacional de entorpecentes.

A estratégia da operação, conforme a PF, é baseda na ligação de interesses das atividades ilícitias dos "clientes dos doleiros" investigados. Até o momento, a Polícia Federal não havia dito quem são esses "clientes", nem o ramo de atuação.

De um lado, havia a necessidade de disponibilidade de grande volume de reais em espécie para o pagamento de propinas, segundo a PF.

Do outro, de acordo com a PF, traficantes internacionais como – Cabeça Branca – tinham disponibilidade de recursos em moeda nacional e necessitavam de dólares para fazer as transações internacionais com fornecedores de cocaína."

Ao todo, são 26 mandados judiciais expedidos pela 23ª Vara Federal de Curitiba. Há 18 de busca e apreensão, cinco de prisão preventiva e três de prisão temporária.

Os mandados são cumpridos no Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e em São Paulo.

Crimes de lavagem de dinheiro, contra o Sistema Financeiro Nacional, organização criminosa e associação para o tráfico internacional de entorpecentes são apurados pela Operação Efeito Dominó.

Ceará

Ceará, preso na Operação Efeito Dominó, é um dos delatores da Operação Lava Jato. Ele trabalhava para o doleiro Alberto Youssef.

Em 2014, Ceará disse, em depoimento, que foi a Maceió e levou R$ 300 mil para o ex-presidente da República Fernando Collor de Mello (PTB-AL) em pacotes de notas de R$ 100. O depoimento foi homologado em 2015. À época, Collor negou conhecer Ceará e questionou a credibilidade do seu depoimento.

O delator também mencionou, em depoimento, que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) recebeu R$ 300 mil a mando de Youssef. Aécio negou a afirmação.

Ceará ainda citou a entrega de dinheiro a outros políticos, entre eles, os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Contudo, Alberto Youssef negou o repasse de valores a Randolfe Rodrigues, e o STF não viu motivo para investigá-lo. Renan Calheiros negou ter recebido dinheiro.

G1