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‘Como anular o voto?’ é pergunta mais feita ao Google sobre eleições; por quê?

por Karine Paixão 14 de Setembro de 2018 às 06:54
categoria: Política

 

Essas são as perguntas mais feitas no Google quando o assunto é eleições 2018. Mas quais os motivos que levam um eleitor a querer não participar de um processo democrático que tem o poder de decidir quem irá governar o País nos próximos quatro anos? Para a cientista política Priscila Lapa, diversos são os fatores, entre eles a falta de identificação do eleitorado com os candidatos e o momento de crise política que o País passa hoje. O cientista político Elton Gomes prevê ainda que o número de votos brancos e nulos deve aumentar este ano.

“Outra característica é o acirramento dessa decepção do eleitor com a política, esse distanciamento político, a sociedade rejeitando a política em busca de opções que não representem a política, que sejam outsiders“, aponta Priscila Lapa. “Isso significa alguma coisa para o sistema político, diz que as opções não estão sendo suficientes para representar os interesses do eleitor”.

Especificamente neste ano de 2018, a cientista diz que o grande número de candidaturas pode levar o eleitor a se confundir e optar em não votar em ninguém.

“A gente tem alguns elementos que hipoteticamente levariam a um aumento desse voto branco e nulo nas eleições deste ano, seja para governador, seja para presidente, que é a questão da fragmentação, a gente tem uma fragmentação de postulantes, partidos pequenos postulando um espaço político com partidos que já são mais tradicionais que pode levar as pessoas a uma confusão, o eleitor ficar confuso e não conseguir decidir por nenhuma candidatura e tender a anular o seu voto ou votar branco”, avalia.

Em 2014, votos brancos e nulos somaram 9,64% dos votos totais. Os eleitores que não compareceram às urnas – a abstenção – somaram 27.698.199, o que significa 19,39% do total. A porcentagem de brancos e nulos é a maior desde 1998, quando ficou na casa de 36% do eleitorado. Em 2010, eles foram 3,13% do total; em 2006, 2,73%; e em 2002, 3,03%. 

Segundo Elton Gomes, a expectativa é de que os números sejam ainda maiores este ano. “Essa eleição de 2018 é uma eleição com muitos componentes inéditos, é esperado uma enorme quantidade de votos nulos, brancos e uma elevada quantidade de abstenções, de pessoas que simplesmente preferirão pagar a multa a ir votar. Em todo caso a eleição será decidida pelos votos do eleitor que comparecer às urnas e depositarem sua confiança em um candidato”.   

Priscila Lapa ainda reflete sobre o chamado ‘voto útil’. “O que está em jogo agora nestas eleições é a questão do voto útil, é um voto que puxa, rouba votos de um possível voto branco ou nulo. Então a pessoa que estava pensando votar branco, votar nulo porque não se identifica com nenhuma candidatura em um processo de disputa acirrada, radicalizada, polarizada, ela pode dizer não, vou repensar porque se eu anular meu voto eu posso favorecer quem eu não quero”. (Blog do Jamildo)