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Bordões históricos: relembre expressões mais usadas por narrador Silvio Luiz


Foto: Reprodução/Instagram

O narrador esportivo Silvio Luiz, de 89 anos, que morreu na manhã desta quinta-feira, 16, em São Paulo, era conhecido por seus diferentes bordões. 

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Ele, que nunca gritava gol durante suas narrações, era um grande criador de expressões que foram consideradas icônicas. Até mesmo em seus últimos anos de sua carreira, continuava aprimorando seus diversos bordões.

“Pelo amor dos meus filhinhos” e “pelas barbas do profeta”: Silvio costumava usar as expressões quando acontecia um lance ou gol perdido e algum erro grosseiro na partida.

“Mandar no meio do pagode”: normalmente o narrador usava o bordão quando acontecia da bola ser lançada para o centro da área. 

“No pau”: dizia a expressão quando ocorria de um chute acertar a trave.  

“Olho no lance” e “foi, foi, foi, foi ele”: eram os clamores de gol do narrador, que não proferia o convencional “gol”. Entre as duas expressões, havia um brado de “ééé”. O “foi ele” seguia o autor do gol.

“Abriu a caixa de ferramentas”: usava para descrever faltas astutas durante os jogos. 

“Queimou o filme”: Silvio usava o bordão quando ocorria de um jogador se complicar durante uma jogada. 

“Balançou o capim no fundo do gol”: falava para destacar um gol que narrou. 

“Acerte o seu aí, que eu arredondo o meu aqui”: o narrador marcava assim o início de cada tempo de jogo.

“O que só você viu?”: pergunta direcionada ao repórter para obter um comentário daqueles presentes à beira do campo.

“No meio da caneta dele”: expressão era usada pelo narrador quando um jogador acertava a bola exatamente entre as pernas do adversário.

Morte de narrador
O narrador esportivo morreu em decorrência de falência de múltiplos órgãos após ficar em ventilação assistida, na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Oswaldo Cruz. Ele foi hospitalizado no início do mês, em 8 de maio. 

Silvio Luiz foi internado primeiramente no dia 7 de abril após passar mal durante uma transmissão da final do Campeonato Paulista, em uma partida entre Palmeiras e Santos. Ele narrava a partida para o canal digital da Record TV ao lado dos humoristas Bola e Carioca, quando teve dificuldades para falar e foi socorrido. Levado ao hospital, ele ficou internado até o dia 30 de abril, quando teve alta. Na época, a Record informou que o narrador teve uma indisposição durante a transmissão.

Carreira e vida
Nascido em 1934, em São Paulo, se apaixonou por esporte cedo. Sua mãe, Elizabeth Darcy, foi uma das pioneiras na locução. Sua carreira começou em 1952, quando começou a fazer participações em radionovelas e pequenas locuções na Rádio São Paulo. Na mesma época, quebrava galho de repórter para a TV Paulista. Acredita-se que ele tenha sido o primeiro repórter de campo da TV esportiva do País.

Em 1953, virou repórter na Rádio e TV Record. Em 1958, chegou a dar pinta de ator. Entusiasmado, ele encarnou Julinho na primeira versão de Éramos Seis (Record). Logo depois esteve na trama Cela da Morte, da mesma emissora. Em 1960, migrou para a Rádio Bandeirantes, mas logo voltou para a Record.

Em 1976, virou diretor de programação da Record e também passou a ser o principal locutor da casa, após a morte de Geraldo José de Almeida. Desde então, Silvio colocou em prática um novo modo de narrar jogos, parou de detalhar tudo que o telespectador já estava assistindo e começou a imprimir humor, descontração, ironia nas transmissões, demarcando ali o que seria conhecido como sua marca registrada. 

Ao longo da carreira, o narrador colecionou indicações aos prêmios Comunique-se e Troféu Imprensa. As 14 indicações ao último vão de 1982 a 2006, demonstrando a longevidade sua relevância na profissão. Em 1994, Silvio Luiz também recebeu a Comenda da Ordem Nacional do Mérito Educativo, resultado de seu incentivo na televisão aberta em benefício do Plano Real. O gesto lhe foi dado por Itamar Franco.

Discreto em relação a sua vida pessoal, Silvio era casado. Ele oficializou sua união com a cantora Márcia em 1969. Juntos, os dois tiveram três filhos: Alexandre, Andréa e André. Não há informações de netos.

(Terra)