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Janeiro Branco reforça debate sobre saúde mental e felicidade possível no PodChegar

Janeiro Branco é um mês dedicado à campanha nacional de conscientização sobre saúde mental. Para discutir o assunto, o PodChegar desta segunda-feira (19) contou com a participação da psicóloga Priscila Khalil, integrante do Instituto Janeiro Branco, que trouxe reflexões sobre bem-estar emocional, felicidade possível e estratégias práticas para lidar com a vida sem romantizar a dor, mas também sem normalizar o sofrimento.

Durante a conversa, a psicóloga destacou que a saúde mental deve ser compreendida de forma ampla e coletiva. “Hoje a gente entende que saúde mental não é só sobre mim. Mas também sobre o outro, sobre a comunidade e o social. Eu não consigo ser feliz sozinha se as pessoas ao meu redor estão passando fome, desemprego ou sem acesso à educação”, afirmou.

A psicóloga chamou atenção para os dados alarmantes do país. Segundo a Agência Brasil e o Ministério da Previdência, apenas em 2024, o país registrou mais de 440 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais e lidera o ranking de ansiedade no mundo e com o maior número de pessoas depressivas. 

Felicidade como processo, não como resultado

Um dos temas discutidos durante a entrevista foi a desconstrução da ideia de felicidade como ausência de problemas. De acordo com Priscila Khalil, a ciência mostra que o desconforto também faz parte do crescimento, que ainda destacou ainda que os problemas, quando acolhidos e compreendidos, podem se tornar oportunidades de crescimento. No bate papo, a psicóloga reforçou a importância do autocuidado e da busca por ajuda especializada. Atividade física, alimentação, lazer e rede de apoio podem ajudar, mas em muitos casos é fundamental buscar acompanhamento psicológico e, quando necessário, psiquiátrico.

Ambiente de trabalho e segurança psicológica

Outro assunto abordado foi o impacto do ambiente de trabalho na saúde mental, com a chegada da NR-01, a responsabilidade das empresas amplia sobre riscos psicossociais. É importante que a empresa ofereça estrutura, as lideranças precisam se desenvolver e cada profissional também precisa fazer sua parte. Ao tratar de famílias que convivem com pessoas em sofrimento psíquico, a psicóloga alerta que a gente só consegue cuidar do outro se estiver bem. Quando o cuidador adoece, passam a existir dois adoecidos. Não é frieza, é responsabilidade emocional.

Foto: Heliênio Leite